terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Por uma vida sem 'quase'.

Esses dias tava limpando as minhas coisas velhas e achei a minha agenda de 2009 - sim, eu guardo minha agenda de 2009. Era ainda na época que trabalhava na farmácia e por isso, naquela época existia um motivo para existir uma agenda [o que não é o caso da minha agenda de 2011]. Bom, mas o que chamou a atenção foi o texto que eu me lembro que eu gostava muito, lia ele quase todos os dias. E quando li, eu percebi que ainda gosto dele, só tinha me esquecido.


'Ainda pior que a convicção do não e a incerteza do talvez é a desilusão de um quase. É o quase que me incomoda, que me entristece, que me mata trazendo tudo que poderia ter sido e não foi. Quem quase ganhou ainda joga, quem quase passou ainda estuda, quem quase morreu está vivo, quem quase amou não amou. Basta pensar nas oportunidades que escaparam pelos dedos, nas chances que se perdem por medo, nas idéias que nunca sairão do papel por essa maldita mania de viver no outono. Pergunto-me, às vezes, o que nos leva a escolher uma vida morna; ou melhor não me pergunto, contesto. A resposta eu sei de cór, está estampada na distância e frieza dos sorrisos, na frouxidão dos abraços, na indiferença dos "Bom dia", quase que sussurrados. Sobra covardia e falta coragem até pra ser feliz. A paixão queima, o amor enlouquece, o desejo trai. Talvez esses fossem bons motivos para decidir entre a alegria e a dor, sentir o nada, mas não são. Se a virtude estivesse mesmo no meio termo, o mar não teria ondas, os dias seriam nublados e o arco-íris em tons de cinza. O nada não ilumina, não inspira, não aflige nem acalma, apenas amplia o vazio que cada um traz dentro de si. Não é que fé mova montanhas, nem que todas as estrelas estejam ao alcance, para as coisas que não podem ser mudadas resta-nos somente paciência porém,preferir a derrota prévia à dúvida da vitória é desperdiçar a oportunidade de merecer. Pros erros há perdão; pros fracassos, chance; pros amores impossíveis, tempo. De nada adianta cercar um coração vazio ou economizar alma. Um romance cujo fim é instantâneo ou indolor não é romance. Não deixe que a saudade sufoque, que a rotina acomode, que o medo impeça de tentar. Desconfie do destino e acredite em você. Gaste mais horas realizando que sonhando, fazendo que planejando, vivendo que esperando porque, embora quem quase morre esteja vivo, quem quase vive já morreu.'



Sou apaixonada com esse texto desde sempre e acho que ele diz a mais pura verdade. Por viver no quase [e contentado com isso] a gente perde tanta coisa, deixa tanta coisa passar, deixa de sentir tanta coisa. Não faz tudo que quer por medo, não fala tudo que precisa por vergonha, não sente tudo que pode por insegurança. Tá certo que a gente tem que fazer as coisas pensando que tudo pode ter uma consequência, mas acontece que ás vezes a gente se segura demais, como diz no texto, a gente economiza alma. Acho que dentro de cada limite, a gente precisa extravazar um pouco, fazer porque tem vontade, chorar porque precisa, abraçar porque quer, demonstrar porque não aguenta mais guardar. A gente faz tudo se sentindo bem com o 'quase' mesmo sabendo que poderia estar fazendo mais. Pode parecer clichê demais mas viver como se fosse o último dia é uma ótima saída do 'modo quase de viver'. Quase viver pode convencer até um certo período mas logo logo a gente cansa, até porque quem quase vive já morreu, certo?






* Coloquei o texto aqui porque quando eu achei ele na minha agenda era como se eu tivesse lendo ele pela primeira vez [por mais que eu já tivesse decorado ele]. Meio que me chamou a atenção mais uma vez. Então quem sabe daqui uns tempos eu olhe aqui e ache ele outra vez e leia outra vez e acorde mais uma vez? Não devia precisar de um texto pra isso mas é que as vezes a gente 'dorme', dai voce lê isso e ajuda né... (: *

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