
Agora que terminei de ler 'Desastre' posso dizer que todas as minhas espectativas criadas quando li sua sinopse foram realmente alcançadas. O fato de que a história do livro é meio diferente da realidade foi um dos motivos pra que eu ficasse com um pé atrás na hora da compra, mas foi também o que me instigou a comprá-lo. O livro conta a história de Fábio que nada mais é do que Fado. É ele é o responsável pela designação da sina de oitenta e três por cento dos humanos. Esses que não terão um futuro muito promissor, se não, estariam, claro, na trilha de Destino. Pessoas com grande potencial, ótimas ideias e um caminho brilhante à frente. E é justamente isso no livro que me interessou mais. Fado, Destino, Gula, Preguiça, Morte, Ironia, Justiça, Medo, Confiança, Carma, Sorte, entre outros, são pessoas, vivem entre nós. E assim, o autor, da visão de Fado, levanta um questionamento intenso sobre a vida humana e sobre as escolhas feitas nela.
E por mais de dez vezes eu me vi deitada no sofá com o livro aberto sobre a barriga, olhando pro teto e pensando sobre o que eu tinha acabado de ler. E sobre a importância de cada (desde que roupa vestir hoje, que copo usar pra beber café ou até que emprego escolher) escolha na nossa vida é preciso uma cautela incrível. Lógico que certas escolhas não trarão consequencias lá tão pesadas, mas de alguma maneira ela vai repercurtir na sua existência. Fado, logo no início do livro, classifica seus humanos como 'criaturas previsíveis, quanto a seus hábitos, que ficam presos em rotinas, estilos de vida e vícios ou passam a vida trocando um vício por outro.' E olha só, não é que ele tem razão? Pessoas 'normais' (sem nenhum futuro brilhante à vista) tendem sempre a serem previsíveis, com medo de arriscar a coisas e sentimentos novos, vivendo sempre naquela rotina 'favorável' e 'cômoda' de sempre. Estão cheios de desejos vagos, que poderão ser sempre completados com compras em shoppings e com a imagem do seu guarda roupa cheio. São pessoas vazias e que em alguma hora da vida irá se deparar com os resultados das escolhas passadas. Pode parecer uma teoria trágica demais mas é sim, uma verdade inegável.
O livro, quanto a seus outros temas, trás também uma paixão de Fado com Sara, uma humana. Poderia ser algo normal, se não fosse pelo fato de que ele estaria, com isso, violando a primeira regra: Não se envolva com humanos. Com todo o desenrolar da história é perceptível o porque da frase na capa do livro: 'O amor não é uma escolha, é um desastre'. E sabe, talvez o amor seja uma exceção à regra da escolha, porque talvez não lhe caiba alguma. Fatos improváveis ou algo que poderia ter alguma saída ou opção, não pode ser levado em consideração quando o assunto é amor, certo?
Bom, e além de tudo isso, a questão da mudança de pensamento, de comportamento e de perspectivas também é clara no livro. Porque chega uma hora que tudo muda de acordo com a visão que você tem do mundo, da sua vida.
Enfim, gostei muito do livro. Não diria nada como: bonitinho, engraçado ou trágico. Só consigo pensar na palavra 'massa', que talvez inclua um pouco de todos os outros adjetivos. Não sei se é também o tipo de leitura que agradaria a todos, mas diria que tem uma grande chance que sim. E não sei se foi o objetivo ou não do autor, mas entre algum humor e outro, esse livro me fez pensar bastante em tudo. Em como estou tomando as minhas decisões, em o que elas irão trazer pra minha vida, e principalmente, em qual trilha eu estou: Fado ou Destino?
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