quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Vida mode: Miojo.

É fácil. Vá ao supermercado mais próximo, escolha o sabor que mais lhe agrada, ponha dentro da sacola pague por isso e pronto: você está à três minutos de saciar sua fome. Digamos que miojo não seja exatamente a comida mais deliciosa já inventada mas a praticidade que ele dispõe é um tanto quando tentadora. Sem horas perdidas cortando legumes, observando as medidas de temperos corretos, lavando milhões de panelas e sem dúvidas incansáveis sobre como fazer a tal receita. É aquilo dentro do pacote e só.
Isso me faz pensar em como nossa vida deveria ou poderia ser. Há pessoas que não se interessam muito com os outros, que não veem nada além do próprio nariz e que ligou o 'foda-se' a muito tempo pra certas preocupações diárias. Porém, é certo que essas pessoas não conseguem ser assim por inteiro. Não conseguem fazer do seu egoísmo um refúgio onde suas preocupações ou consequências por algumas de suas atitudes não existam.
Definitivamente, é importante se preocupar com o próximo, mas é que preocupação em excesso às vezes é um saco. Eu, pessoalmente, fico parada em certos pontos por medo de magoar alguém por algo que eu possa fazer. E o pior de tudo é que deixo de fazer o que quero fazer pra fazer o que deveria (pressionada pela pessoa, pela circunstância ou pelo momento) fazer. E isso é realmente insuportável, uma vez que a pessoa que causa todo esse alvoroço não esteja em situação de extremo desespero semelhante ao seu. E sei que isso é meio estranho e até pode acontecer só comigo, mas é nessas horas que eu gostaria que a vida fosse somente um grande pacote de miojo. Prática, sem precisar de cabeça doendo pra ser feita, sem ter que preocupar com qualquer outra coisa, só o seu miojo.
Sinceramente, considere isso como um 'enchi o saco' porque normalmente o difícil e o desafiador costumam me ser atraentes. Mas que é certas coisas estão martelando demais, e isso fez um calo enorme na minha paciência. Ter opções e não poder usa-las para não magoar alguém que se gosta é proporcionalmente angustiante a fazer o que se quer e magoar quem se gosta. E fora a questão sentimental, quantas outras coisas a praticidade iria simplesmente ser perfeita? Respira fundo, conta três minutos, pronto passou!
E como eu mesma disse sobre o excesso de preocupação, também acho que tudo que é demais passa. Sendo classificada como contraditória ou não (tá na bio, já leu?), também acho que algumas dificuldades, desafios e quebra-cabeças aqui e ali não fazem mal a ninguém.
É como comer miojo todo dia. Enjoa.

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Desastre


Agora que terminei de ler 'Desastre' posso dizer que todas as minhas espectativas criadas quando li sua sinopse foram realmente alcançadas. O fato de que a história do livro é meio diferente da realidade foi um dos motivos pra que eu ficasse com um pé atrás na hora da compra, mas foi também o que me instigou a comprá-lo. O livro conta a história de Fábio que nada mais é do que Fado. É ele é o responsável pela designação da sina de oitenta e três por cento dos humanos. Esses que não terão um futuro muito promissor, se não, estariam, claro, na trilha de Destino. Pessoas com grande potencial, ótimas ideias e um caminho brilhante à frente. E é justamente isso no livro que me interessou mais. Fado, Destino, Gula, Preguiça, Morte, Ironia, Justiça, Medo, Confiança, Carma, Sorte, entre outros, são pessoas, vivem entre nós. E assim, o autor, da visão de Fado, levanta um questionamento intenso sobre a vida humana e sobre as escolhas feitas nela.
E por mais de dez vezes eu me vi deitada no sofá com o livro aberto sobre a barriga, olhando pro teto e pensando sobre o que eu tinha acabado de ler. E sobre a importância de cada (desde que roupa vestir hoje, que copo usar pra beber café ou até que emprego escolher) escolha na nossa vida é preciso uma cautela incrível. Lógico que certas escolhas não trarão consequencias lá tão pesadas, mas de alguma maneira ela vai repercurtir na sua existência. Fado, logo no início do livro, classifica seus humanos como 'criaturas previsíveis, quanto a seus hábitos, que ficam presos em rotinas, estilos de vida e vícios ou passam a vida trocando um vício por outro.' E olha só, não é que ele tem razão? Pessoas 'normais' (sem nenhum futuro brilhante à vista) tendem sempre a serem previsíveis, com medo de arriscar a coisas e sentimentos novos, vivendo sempre naquela rotina 'favorável' e 'cômoda' de sempre. Estão cheios de desejos vagos, que poderão ser sempre completados com compras em shoppings e com a imagem do seu guarda roupa cheio. São pessoas vazias e que em alguma hora da vida irá se deparar com os resultados das escolhas passadas. Pode parecer uma teoria trágica demais mas é sim, uma verdade inegável.
O livro, quanto a seus outros temas, trás também uma paixão de Fado com Sara, uma humana. Poderia ser algo normal, se não fosse pelo fato de que ele estaria, com isso, violando a primeira regra: Não se envolva com humanos. Com todo o desenrolar da história é perceptível o porque da frase na capa do livro: 'O amor não é uma escolha, é um desastre'. E sabe, talvez o amor seja uma exceção à regra da escolha, porque talvez não lhe caiba alguma. Fatos improváveis ou algo que poderia ter alguma saída ou opção, não pode ser levado em consideração quando o assunto é amor, certo?
Bom, e além de tudo isso, a questão da mudança de pensamento, de comportamento e de perspectivas também é clara no livro. Porque chega uma hora que tudo muda de acordo com a visão que você tem do mundo, da sua vida.
Enfim, gostei muito do livro. Não diria nada como: bonitinho, engraçado ou trágico. Só consigo pensar na palavra 'massa', que talvez inclua um pouco de todos os outros adjetivos. Não sei se é também o tipo de leitura que agradaria a todos, mas diria que tem uma grande chance que sim. E não sei se foi o objetivo ou não do autor, mas entre algum humor e outro, esse livro me fez pensar bastante em tudo. Em como estou tomando as minhas decisões, em o que elas irão trazer pra minha vida, e principalmente, em qual trilha eu estou: Fado ou Destino?

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Por uma vida sem 'quase'.

Esses dias tava limpando as minhas coisas velhas e achei a minha agenda de 2009 - sim, eu guardo minha agenda de 2009. Era ainda na época que trabalhava na farmácia e por isso, naquela época existia um motivo para existir uma agenda [o que não é o caso da minha agenda de 2011]. Bom, mas o que chamou a atenção foi o texto que eu me lembro que eu gostava muito, lia ele quase todos os dias. E quando li, eu percebi que ainda gosto dele, só tinha me esquecido.


'Ainda pior que a convicção do não e a incerteza do talvez é a desilusão de um quase. É o quase que me incomoda, que me entristece, que me mata trazendo tudo que poderia ter sido e não foi. Quem quase ganhou ainda joga, quem quase passou ainda estuda, quem quase morreu está vivo, quem quase amou não amou. Basta pensar nas oportunidades que escaparam pelos dedos, nas chances que se perdem por medo, nas idéias que nunca sairão do papel por essa maldita mania de viver no outono. Pergunto-me, às vezes, o que nos leva a escolher uma vida morna; ou melhor não me pergunto, contesto. A resposta eu sei de cór, está estampada na distância e frieza dos sorrisos, na frouxidão dos abraços, na indiferença dos "Bom dia", quase que sussurrados. Sobra covardia e falta coragem até pra ser feliz. A paixão queima, o amor enlouquece, o desejo trai. Talvez esses fossem bons motivos para decidir entre a alegria e a dor, sentir o nada, mas não são. Se a virtude estivesse mesmo no meio termo, o mar não teria ondas, os dias seriam nublados e o arco-íris em tons de cinza. O nada não ilumina, não inspira, não aflige nem acalma, apenas amplia o vazio que cada um traz dentro de si. Não é que fé mova montanhas, nem que todas as estrelas estejam ao alcance, para as coisas que não podem ser mudadas resta-nos somente paciência porém,preferir a derrota prévia à dúvida da vitória é desperdiçar a oportunidade de merecer. Pros erros há perdão; pros fracassos, chance; pros amores impossíveis, tempo. De nada adianta cercar um coração vazio ou economizar alma. Um romance cujo fim é instantâneo ou indolor não é romance. Não deixe que a saudade sufoque, que a rotina acomode, que o medo impeça de tentar. Desconfie do destino e acredite em você. Gaste mais horas realizando que sonhando, fazendo que planejando, vivendo que esperando porque, embora quem quase morre esteja vivo, quem quase vive já morreu.'



Sou apaixonada com esse texto desde sempre e acho que ele diz a mais pura verdade. Por viver no quase [e contentado com isso] a gente perde tanta coisa, deixa tanta coisa passar, deixa de sentir tanta coisa. Não faz tudo que quer por medo, não fala tudo que precisa por vergonha, não sente tudo que pode por insegurança. Tá certo que a gente tem que fazer as coisas pensando que tudo pode ter uma consequência, mas acontece que ás vezes a gente se segura demais, como diz no texto, a gente economiza alma. Acho que dentro de cada limite, a gente precisa extravazar um pouco, fazer porque tem vontade, chorar porque precisa, abraçar porque quer, demonstrar porque não aguenta mais guardar. A gente faz tudo se sentindo bem com o 'quase' mesmo sabendo que poderia estar fazendo mais. Pode parecer clichê demais mas viver como se fosse o último dia é uma ótima saída do 'modo quase de viver'. Quase viver pode convencer até um certo período mas logo logo a gente cansa, até porque quem quase vive já morreu, certo?






* Coloquei o texto aqui porque quando eu achei ele na minha agenda era como se eu tivesse lendo ele pela primeira vez [por mais que eu já tivesse decorado ele]. Meio que me chamou a atenção mais uma vez. Então quem sabe daqui uns tempos eu olhe aqui e ache ele outra vez e leia outra vez e acorde mais uma vez? Não devia precisar de um texto pra isso mas é que as vezes a gente 'dorme', dai voce lê isso e ajuda né... (: *

domingo, 9 de janeiro de 2011

Dezenove com cara de dezenove.

Eram 22:00 horas do dia 06 de Janeiro. Estava eu prontinha, de salto alto, perfume exalando [momento: eu escuto pagode] quando vem aquela pergunta paterna tão temida 'onde é que você tá indo em, ju?'. 'Ah, pai to indo ali sair com as meninas' 'mas você tá saindo demais, todo dia! Não para mais em casa, nunca vi..' prooonto, iniciou toda aquela discussão onde você - uma pessoa de 19 anos- tenta explicar pra uma pessoa que está na quinta década de vida que isso é normal entre os seres jovens e que você - por mais increça que parível - tem juízo suficiente para enfrentar toda uma noite de balada [balada? quem é que tá na quinta década de vida mesmo?]. Mas leve em consideração que ele é pai e mesmo que eu saia uma vez na semana na cabeça dele eu estarei saindo três vezes e chegando de madrugada todos dias [Pais, quando se fala de filhos, sempre vêem um elefante quando olham pra uma formiga, né?]. Discussão terminada com alguns aborrecimentos da minha parte e com alguma irritação da outra eu finalmente alcancei o botãozinho da felicidade, o botãozinho que abria o portão de casa. Eu sai, me diverti pra caramba mas a minha cabeça ainda tinha ficado naquela briguinha com o meu pai mais cedo. Não me conformei de maneira nenhuma como ele não entendia o meu lado de 'hello, eu sou jovem e é isso que pessoas jovens fazem: elas saem com um pouco mais de frequência.' A minha filosofia de vida é a seguinte: durante a sua vida inteira você terá idades diferentes [óbvio] e cada idade que você terá irá exigir algum certo tipo de atitude ou de comportamento. Tem dia que eu paro pra olhar os meus pais com os amigos deles sentados na mesa bebendo e conversando civilizadamente e acho meio sem graça. Não que eu goste das coisas bagunçadas mas é que é legal você fazer umas festas onde o som ultrapasse o volume normal e que as pessoas dancem. Mas não recrimino eles não porque na idade deles essa rodinha monótona e sem graça é o legal, o radical, o rock 'n roll [¬¬']. Até porque acho uma visão um tanto quanto estranha ver os meus pais dançando loucamente enquanto bebem em alguma boate. Então enquanto eu tiver os meus lindos 19 anos eu continuarei agindo como se eu os tivesse. Porque pra que eu vou agir como se eu tivesse 40 anos se quando eu tiver 40 eu não vou poder agir como se tivesse 19? Não faz sentido nenhum, certo? Saio quase todo dia mesmo, escuto som alto mesmo, tenho preguiça de limpar a casa mesmo, fico muito tempo na Internet mesmo, mas lógico, tudo dentro das possibilidades e enquanto ainda posso e vou fazer isso até que um dia eu ache isso chato ou errado [o que vai indicar que estarei ficando mais velha e mais chata]. Só queria que meu pai confiasse mais em mim, sem aquelas histórinhas de 'onde você vai uma hora dessa?' e blá blá blá. Conversando com a minha mãe ela disse que ele só fala isso porque ele se preocupa comigo. Vai ser sempre essa a desculpa deles, pô? E numa boa, eu sei que é verdade é só preocupação e cuidado comigo [gracinha *-*]. Mas tá ai né, eu sou jovem e jovens não entendem muito bem essas preocupações de pais, mas porque não está na hora de entender [não sem antes se perguntar mil vezes 'como é que pode ser tão chato assim?']. Quem sabe quando eu for uma mãe eu realmente entenda como preocupar e encher a paciência são a mesma coisa, né? Até lá, [e que esse até lá dure bastante tempo] vou continuar saindo com mais frequência e fazendo coisas que eu gosto de fazer e na maioria das vezes vou ter que explicar pro meu pai tudo isso, outra e outra vez. Mas, paiê, relaxa vai... cadê aquela velha frase compreensível: te entendo, eu já tive a sua idade um dia.


Um beijo pro meu pai [e pra Xuxa] que mostra todo o seu amor por mim com brigas constantes e ataques frenéticos de preocupação desnecessária. E que, vale ressaltar, está na roça. Porque se não outra razão pra eu estar tranquilamente na Internet às três da manhã? (: Love u, daddy.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Quanta gente a gente vive deixando pra trás. ♪

Estava andando pela rua esses dias e passei do lado de uma antiga amiga. Mas quando falo antiga estou me referindo a época de criança mesmo, do maternal até a quarta série. E quando digo amiga estou falando da dona da casa da qual eu não saia aos sábados, da única companheira das brincadeiras no quintal, da primeira a juntar as carteiras comigo quando tinha um trabalhinho de dupla na sala. Passei por ela... e só passei. Teve aquele 'oi' de cabeça baixa e ainda andando e talvez uma tentativa de sorriso. E isso é ingraçado, voltando no tempo eu podia jurar que aquela amiga ali seria ainda amiga pra sempre. Que a gente iria crescer e ir pra uma escola com pessoas adultas juntas, depois iriamos pra uma faculdade e nos tornaríamos ótimas professoas em uma mesma escola[que é sempre o que uma menina quer se tornar quando pequena]. Não teve nenhum tipo de briga ou discussão. O que teve foi uma lista pregada no painel da escola, no final da quarta série. Aquela lista que falaria em qual escola nós duas iriamos frequentar pelos próximos anos. E foi esse o motivo daquele cumprimento tímido: escolas diferentes. E o post nem foi pra falar sobre ela, é sobre a situação mesmo. Ela não é a única que um dia eu classifiquei como 'pra sempre'. Não foi culpa minha e muito menos dela. Culpa do tempo, das circunstâncias talvez? E o fato de que nem tudo está nas minhas mãos, de que nem todas escolhas serão feitas por mim, me assusta. Você vive momentos ótimos ao lado de uma pessoa, seja ela quem for, pensando [e rezando] pra que aquilo dure a vida toda. No outro dia, uma mudança, uma pessoa nova, uma idéia nova ou algum outro caminho te mostra o contrário. Acredito sim que eu poderia ter feito algo pra aquela amizade durar mais, mas não fiz. E também acredito que amizade, amores ou qualquer outro tipo de relação pode sobreviver a tempo e distancia, mas é muito mais dificil. Mas não impossível, certo? E é acreditando nessa possibilidade, por menor que seja suas chances de existir, que eu solto um looooongo suspiro de alívio. Deus me fez uma pessoa com uma enorme vontade de viajar, conhecer coisas novas, viver coisas diferentes, ser independente mas também me fez alguém que acha tão difícil se separar de alguém, que acha a hora do 'tchau' a pior, quase morre só de pensar em não ter mais aqueles momentos com aquelas pessoas e que teme nunca mais se sentir tão bem quanto se sentiu naquele tempo. E esse texto é mais que uma indireta pra todos aqueles que são meus amigos, todos aqueles que sabem que eu os quero pra sempre comigo. Se eu mudar pra qualquer lugar que seja ou se acontecer qualquer outra coisa não quero nem saber, é obrigatório algum tipo de ligação comigo ainda, 'ouviram'? Pode parecer um tanto quanto idiota esse pedido mas é que eu não to pronta pra deixar ninguém pra trás, eu não tô pronta pra passar por vocês e receber um 'oi' de cabeça baixa e uma tentativa de sorriso, eu não tô pronta pra passar por vocês e... só passar.



- Ouvindo agora: Sobre marés e Angra - Rosa de Saron. [minha música preferida desde sempre] (:


'E se eu fugir pra bem longe e me encontrar?
... e se me perder em algum lugar e te perder?'

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Blá blá blá.

Hoje eu acordei decidida: nada de sedentarismo o dia inteiro [só uma pequena parte dele]. Mas esse meu 'acordar' no relógio já eram 10:35. Maldito barulho de chuva que me faz dormir até tarde. Mas mesmo com parte do plano destruído por meras gotículas de água eu estava decidida fazer algo que movimente mais que os músculos dos meus dedos [quando digito] e da minhas pernas [quando levando da cadeira do computador e vou até a cozinha comer algo]. HOJE EU IRIA À ACADEMIA. Meta devidamente traçada, é hora de por em prática. Meia hora de caminhada até a academia e sem nenhum tipo de preguiça, juro. Uma vez que chego lá é só alegria. Me empolgo, quero malhar pros trinta dias que fiquei em casa vendo sessão da tarde. Mas enquanto eu fazia ginástica eu pude reparar muito mais que rostos furiosos no espelho [porque todo mundo quando malha faz cara de bravo pra disfarçar a de dor] e também muito mais que aquela mulher que foi maquiada pensando que teria algum sucesso com tal atitude [vontade de gritar um FAIL bem alto quando vi escorrendo a primeira gota de suor no rosto dela]. Enquanto erguia pesos e mais pesos eu ouvia conversas alheias aqui e ali. E vou te contar uma coisa, uma vez que você para pra reparar no fim do dia você está sabendo tudo sobre o caso que a professora de ginástica está tendo com o vizinho, sobre o serviço e todas as dificuldades que ele tem, sobre o dia inteiro de uma pessoa que 'não teve tempo nem pra respirar' [são palavras da mesma]. Ali eu descobri o porque da academia lotada até mesmo às 4 horas da tarde, era óbvio que as pessoas não estavam ali só pra se exercitarem e ficarem esbeltas e gostosas também estavam ali pra poder acrescentar informações mais interessantes [e na maioria nem um pouco necessárias] na sua listinha de 'coisas que devo saber sobre a vida alheia' ou até mesmo pra conversar com alguém sobre sua vida e com suas palavras transformá-la em algo que faça algum sentido [embora na maioria das vezes não tenha]. Sai enfim desse lugar com excesso de informação e fui pra sauna com apenas um intuito: relaxar. Ah, nada melhor que deitar, fechar os olhos e respirar fundo dentro daquele recinto cheio de calor. E olha, ainda com o meu 'reparador de conversation tabajara' ligado percebi que o calor servia muito mais que pra relaxar. O calor parecia ali desencadear algum neurônio que faça as pessoas dividirem histórias, contar piadas ou até mesmo cantar. Sim, ali constatei que sauna é definitivamente pior que academia nesse quesito. Eu mesma já sei falar da vida de quase todas as mulheres que vão a sauna diariamente. O que elas fazem, onde elas vão em uma sexta feira anoite, o porque delas atrasarem na terça e na quinta, o que mais irrita no marido, a cerveja que mais gostam, quantas dependências o filho pegou na escola e assim vai. E isso tudo [pasmem] sem nem ao menos trocar uma palavra com elas. Não, eu não sou uma fofoqueira e muito menos uma intrometida e curiosa pra saber a história. O problema é justamente esse: você não tem escolha, você vai ouvir e pronto. Não acho ruim não, sabe... mas fico pensando se essas mulheres tem noção que as outras mulheres saem de lá com um bocado de informações isoladas sobre elas. Digo isoladas porque um comentário entre duas pessoas em uma sauna sobre uma briga feia entre ela e seu marido, por exemplo, não é a mesma coisa que saber o motivo da briga, quando foi a briga, quanto tempo durou, certo? São detalhes. Detalhes que às vezes te diferencia de uma mulher barraqueira e incompreensível de uma mulher super paciente que perdeu a cabeça um dia com as idiotices do marido. No fim das contas devem ser levado em consideração né? Mas [mais uma vez] eu não sou contra e nem me importo; pelo contrário, me divirto pra caramba e fico rindo das histórias em silencio, só com a força do pensamento enquanto finjo que durmo. Além do mais, onde é que eu poderia ouvir alguém cantando 'Faz mais uma vez comigo OU OU, só mais uma vez comigoooo' se não na sauna? A favor da academia, sauna e da divisão pública de fofocas e histórias alheias! :)

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

'Liberte suas inibições' ♪

'E enquanto ela andava pela rua era como se todos os ruídos ao seu redor sumissem, como se os carros não existissem e como se os rostos estranhos não lhe encomodassem. Ela se sentia bem e isso sim importava. Chovia mesmo com o sol ainda brilhando e com os fones no ouvido ela andava de acordo com a música, ela vivia de acordo com a vida.' Oh my God, quanta dramatização para descrever que uma pessoa estava andando feliz pela rua enquanto ouvia uma música, não? É, realmente, e essa pessoa sou eu (THARAM!). Um dia desses passei por uma situação dessas, porém sem toda essa narração minuciosa e detalhista. Estava eu andando pela rua em um dia não menos itediantes que os outros quando tenho a minha mais brilhante idéia: que tal ouvir uma música? Pego o meu foninho, plugo no meu celular e procuro uma música aleatória qualquer. Qualquer uma que eu queira e esteja com o saco de ouvir naquele momento. Passando, próxima, pula essa, proooonto, essa mesmo que eu quero ouvir. Não sei quanto as outras pessoas mas eu tenho um certo ritual musical onde a música tem que se encaixar perfeitamente ao momento em que estou vivenciando. Como eu classifico cada música com o seu devido momento eu não sei, só sei que vou passando as músicas até eu falar 'ah, essa sim!' ¬¬' Bom, voltando ao meu momento público vergonhoso, escolhi enfim a música adequada da qual eu não me lembro agora, observei qual era o foninho left e qual era o right e coloquei nas respectivas orelhas. Volume 20 por favor (tá, aprendi com a Jéssica que isso é prejudicial, mas eu andando sozinha pela rua com uma caixa de sucrilhos na mão, pede um música bem alta.) E a música bem alta pediu automaticamente um clipe básico. Quem não sabe o que é clipe, eu explico. Sabe quando você está dentro de um onibus ouvindo uma música bastante apaixonada e todos os seus neuronios se juntam com os seus nervos em um mesmo trabalho: o de deixar voce com uma cara de retardado olhando pela janela do onibus e balbuciando palavras aleatórias da música pensando que tá cantando baixo e de preferencia com a mão no vidro da janela. Sim, fazer clipe nada mais é do que voce ouvir uma música e pensar que foi contratado pelo cantor para interpretar o papel de sofredor ou seja lá o que a música pede. Pois é, recaptulando: eu andando sozinha pelo centro com uma caixa de sucrilhos na mão e com a música bem alta só podia resultar em que? Em clipe lógico. Continuei andando como se eu estivesse em alguma rua bastante movimentada e todos estivessem olhando para mim. Olho para os lados e balanço a cabeça seguindo os acordes do violão e mexo os dedos de acordo com as batidas da bateria. E para encrementar a minha incenação o que acontece? CHOVE! Yes, começou a chover. Em um movimento gracioso abro minha bolsa e tiro de lá um guarda-chuva preto. Mudo a música, alguma mais apropriada para o mode: CHUVA. Achei, fecho os olhos e respiro fundo. E o respirar fundo é daqueles bem de filmes mesmo sabe, aqueles de alívio por ter se demitido de uma empresa depois de ter sido humilhada por seu chefe bebado ou por ter conversado com aquele homem gato no elevador sem nenhuma falhada aparente. A única diferença é que eu não tinha nenhum desses motivos, tudo o que eu tinha era uma caixa de sucrilhos na mão. Mas também posso dizer que tinha algum tanto a mais de idiotice naquele dia, uma dose que talvez não foi usada nos dias anteriores e resolveu aparecer tudo ali, naquela hora. Descendo a rua a chuva foi engrossando e senti que a única coisa que meu guarda chuva estava protegendo ali era a minha cabeça e nada mais. Quaquer pessoa normal (e foi o que todas que estavam na rua fizeram) procuraria algum lugar pra se esconder daquela tempestade mesmo que ainda estivessem com sombrinha (é só eu e minha mãe que ainda usa essa palavra?). Mas eu não, eu era uma pessoa com alta dosagem de idiotice e falta de senso sendo altamente impulsionada pela música a continuar naquela porcaria de chuva dando continuação ao meu clipe. E lá vai eu andando sem nem ao menos me importar pelo barro na minha calça e muito menos com a minha reputação de pessoa desprovida de doença mental sendo ali julgada. Mas é engraçado, agora que paro pra pensar e analisar cada um dos meus movimentos e meus olhares 43 me envergonho sim. Mas na hora acho que não poderia acontecer algo melhor, algo que me deixaria melhor (só se aparecesse um elevador na minha frente com um gato dentro ¬¬) . Ó pode ser bastante 'coisa que só idiotas fazem' mas é que faz bem de vez enquando. Não é uma regra voce colocar uma música, estar chovendo ou estar com uma caixa de sucrilhos na mão. Mas deveria ser uma regra fazer alguma coisa que te dê vontade, na hora que dê vontade e não se importar com quem tá ali te olhando e tentando decifrar o que tá passando na sua cabeça (e também de xingando de retardada). É que fazendo clipe ou não, às vezes a gente vive demais pelos os outros, pela reação e pela opinião deles e esquece de fazer o que mais nos agrada. Eu só tava ouvindo a música que eu queria, andando na chuva porque eu queria e sentindo os sentimentos que isso despertava em mim e foi muito bom! E ainda bem que não é nenhum tipo de pecado fazer clipes enquanto ouve música, porque se não eu (e a maioria dos meus amigos) estaria ferrada. Até porque quem não gostaria de que sua vida fosse digna de trilha sonora, com todos aqueles efeitos cinematográficos capazes de fazer um simples momento arrancar lágrimas ou risadas de qualquer um? Quem não gostaria de ter algum trecho da sua vida narrada com detalhes e contada minuciosamente na voz do Cid Moreira? (HAHA) Só vou me lembrar de não fazer isso em público com tanta frequência quanto gostaria.
'E chegando em casa toda molhada guardou o seu guarda-chuva e pode sentir uma certa paz. Naquele mesmo dia anoite, deitou e pensou na sua tarde e de como ela provavelmente pareceu idiota aos olhos alheios mas por algum motivo ela não se importou. Ela se sentia bem e isso sim importava. Fechou os olhos e dormiu, agora melhor do que nunca.'



Tenho quase certeza de que era essa música que estava ouvindo. Também né, que letrinha mais bonitinha *-* digna de clipe! HAHA. (Unwritten - Natasha Bedingfield) - ERA PRA TER UM VÍDEO AQUI, MAS MINHA FALTA DE PACIÊNCIA NÃO DEIXOU ELE CARREGAR! - (: